sexta-feira, 13 de março de 2026

NEM ANJOS, NEM SUPER-HERÓIS XX

Quando quem cuida também sangra: Líderes religiosos não são anjos, nem super-heróis. Não são de ferro, acrílico, borracha... São pessoas - de carne, fé, cansaço, dúvidas e limites.

A missão pastoral, sacerdotal e eclesial carrega beleza, sentido e graça. Mas também carrega peso. Um peso que, quando não é partilhado, faz adoecer.

A Escritura já alertava, com lucidez desconcertante, quando Jetro diz a Moisés: “Não é bom o que fazes… assim te esgotarás, tu e o povo que está contigo.” (Ex 18.17,18) O texto não acusa Moisés de falta de fé. Ao contrário, a Bíblia não romantiza a solidão: “Ai do que está só, porque, se cair, não haverá quem o levante.” (Ecl 4.10) Quando líderes caem — emocional, espiritual ou psicologicamente — muitas vezes não há quem os levante, porque aprenderam a cuidar de todos, menos de si mesmos. E porque comunidades, às vezes sem perceber, consomem seus líderes sem sustentá-los.

Mesmo assim, ainda hoje, muitos pastores, padres e líderes eclesiásticos vivem sob a expectativa silenciosa de serem fortes o tempo todo, disponíveis sempre, espiritualmente estáveis, emocionalmente imunes. Como se pedir ajuda fosse fraqueza ou como se cansar seja pecar.

Líderes não adoecem porque faltou oração, mas porque faltou companhia, escuta, divisão do peso. Uma ligação, uma visita, um espaço de escuta, uma liderança compartilhada, descanso autorizado, são gestos que podem chegar antes do colapso.

O Padre Celso Lima Ferreira Júnior (*19/06/1987 + 06/03/2026) foi ordenado presbítero em dezembro de 2018, na Arquidiocese do Rio de Janeiro; atualmente era líder da Paróquia N. S. da Conceição Aparecida, em Paciência, Rio-RJ: Orações e solidariedade!

Se você — líder ou não — vive sofrimento intenso, sem saída ou sobrecarregado:
CVV – 188, gratuito, 24h, ou site oficial.
App Touch Peace

(Imagem: Clerum Photus) By Geraldinho Farias

"QUEM AMA NÃO MATA"

(11/02/2026) Itumbiara/GO viveu das maiores tragédias de sua história. Uma tragédia familiar que chocou e entristeceu o País. O Secretário de Governo, Thales Machado, 40, tirou a vida de seus dois filhos - Miguel, 12, e Benício, 8, dentro de sua própria casa e, em seguida, pôs fim à própria vida. Horas antes Thales publicou conteúdos dos meninos e palavras de amor. São imagens que hoje gritam a injustiça dessas perdas.

Relatos sugerem que conflitos no relacionamento e uma traição documentada foram elementos decisivos que culminaram na violência injustificável.

Amor não é posse ou controle; amor não destrói; diferente do que ecoa em nossa cultura, o(a) outro(a) não é sua/minha propriedade!

Nenhuma dor justifica tirar vidas inocentes

Nenhuma crise conjugal deveria se tornar sentença de morte

Nenhuma criança deveria pagar pelos conflitos de adultos

Certos padrões de comportamento — controle excessivo, possessividade, incapacidade de lidar com frustrações, visão obsessiva, expressos como machismo, ciúmes e orgulho ferido — são sinais de transtornos mentais graves, associadas a traços narcisistas ou sociopáticos não diagnosticados.

A Mulher, Mãe e Vítima - violentada três vezes, intimidade exposta, alvo de juizes impiedosos: Orações por sua so-bre-vi-vên-cia!

Solidariedade à Itumbiara; da urgência de falar mais sobre saúde mental e prevenção de violência familiar. By Geraldinho Farias

quinta-feira, 12 de março de 2026

JESUS DE NAZARÉ: "CAUSANDO" ATÉ HOJE...

Belém da Judeia seria apenas um vilarejo qualquer, não fosse o fato do nascimento de Jesus de Nazaré

Uma manjedoura seria apenas uma bacia num estábulo para alimentar animais, não fosse o fato de Jesus torná-la em berço.

PCDs, mulheres e crianças nem eram contados no Séc I, não fosse o fato de Jesus de Nazaré tê-los incluídos na agenda e lhes dado importância

Samaritanos eram de uma comunidade inferior, até Jesus de Nazaré tê-los tratados como pessoas

Pobres, marginais, prostitutas e beberrões seriam apenas estorvos sociais, não fosse o fato de Jesus de Nazaré torná-los alvo do Seu amor

O Templo e as sinagogas eram os locais sagrados, até Jesus de Nazaré santificar presenças

Liderar era assenhorar-se, mandar, até Jesus de Nazaré viver a liderança como serviço ao outro

Lavar pés era para escravos, até Jesus, Ele mesmo, lavar pés de seus amigos: "Fazei vós também"

Um madeiro era instrumento de pena de morte para criminosos hediondos, até Jesus de Nazaré ser crucificado e tê-lo tornado símbolo da redenção

Jesus de Nazaré "causou", perturbou, provocou, inverteu, converteu... E continua!

(Imagem: Mosaico do Séc XII, Itália)

(Publicado originalmente para o Natal de 2025) By Geraldinho Farias

MARIA: SIMPLICIDADE X OSTENTAÇÃO

A gestação, por si só, é uma experiência singular; a primeira, então, é sempre incomparável;

Mas uma gestação anunciada por um anjo ultrapassa qualquer medida do extraordinário.

E a gestação de Jesus — o Deus encarnado — foi experiência única, irrepetível, indescritível, imensurável!

Não há exagero possível aqui: É a experiência mais profunda e impactante já vivida por um humano!

“Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração.” — Lc 2.19

Hoje, na Sociedade do Espetáculo,

quando a fronteira entre o público e o privado se dissolveu;

quando o desfile permanente do eu se tornou regra; quando colecionamos registros, não vivências; quando existimos menos para sentir e mais para mostrar; quando a intimidade virou conteúdo...

A pureza, simplicidade, modéstia e o silêncio de Maria ecoam como contracultura!

Bendita és tu, Maria —

Santa Influência entre homens movidos por engajamentos, likes e viralizações.

*A Anunciação - Caravaggio, 1608 / publicado originalmente no Natal de 2025

By Geraldinho Farias 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

FRANKENSTEIM (EUA, 2025)

Em cartaz o clássico Frankenstein (EUA, 2025), sob a ótica de Guilherme Del Toro. Adaptação serve para ler nosso tempo - misto de drama, terror, suspense.

Pra começo: Dr. Victor Frankenstein é o médico, o criador do monstro – que nem possui nome. Essa dicotomia secular nos instiga. Depois de criado, o monstro terrível, feio, violento, se tornou símbolo da Maldade Humana. Del Toro parece ir na contramão de seus antecessores. Porque Jacob Elordi apenas se defende. O ponto é: A monstruosidade está no “pai”, Oscar Isaac, narcisista, símbolo do homem moderno - não no “filho” gerado.

(Há paralelos com obras de arte: Elizabeth quase toca no monstro = "A Criação de Adão", de Michelângelo; toca na ferida = “A Incredulidade de Tomé”, de Caravaggio; a Medusa assustada lembra outro Caravaggio; o olhar pro crânio remete à Hamlet... Show!)

A criatura não nasceu monstro; é dotado de sensibilidade. Mas, sabemos: Quem se sente rejeitado, rejeita! Sequer teve a chance de se socializar porque tão logo foi criado, foi condenado à sua bizarrice. Como Quasímodo (O Corcunda de Notre Dame), o Fantasma da Ópera... "Monstros" muito humanos.

Sabemos do que somos capazes: Elegemos vampiros, zumbis, demônios, bruxas... Bastam ser “diferentes”. Ao longo dos séculos foram autistas, downs, anões, Pcds dos mais diversos, diagnosticados, gays,... Abandonamos filhos, violentamos crianças, descartamos animais como lixos...

“Eu queria ser civilizado como os animais”, (Roberto Carlos em O Progresso, 1976). By Geraldinho Farias

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

NEM ANJOS, NEM SUPER-HERÓIS XIX

Não é incomum que pessoas de fé vivam numa espécie de bolha espiritual — um “outro mundo”, supostamente protegidos das dores e crises que afetam o restante da humanidade. Muitos traçam uma fronteira ilusória entre a espiritualidade e a realidade, como se as angústias e rupturas da alma não tocassem quem vive sob um credo. Mas a vida real insiste em contrapor: Crentes também adoecem, padres também choram, pastores também se esgotam. A fé não anula o humano – por mais que hajam coachs e religiosos a defender um dualismo!

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O EVANGELHO "LÍQUIDO"

Está escrito: “Jesus chorou.”

Não está escrito: “Jesus sorriu.”

Mas Jesus sorriu — e muito! Certamente o Filho do Carpinteiro e da Camponesa era divertido, espirituoso, capaz de arrancar gargalhadas, como nos "causos" que contou - a do maluco que construiu uma casa sobre a areia ou do tio que acumulou bens em celeiros mas, de imediato, partiu desta, para, digamos, pior... A pesca maravilhosa, imagino, "cabô im zuêra".

Mas o texto sagrado cita o choro: O choro de Deus solidário às amigas Marta e Maria, ante a perda de Lázaro; o choro sobre a Jerusalém insensível; e, por inferência, o choro no Getsêmani e na Via Crucis — quando enfrentou o peso do mundo.

Jesus mamou, suou, sangrou e... Sorriu. Sorriu muito. Mas está escrito: "Je-sus-cho-rou". Os canais lacrimais de Deus são divindade à flor da pele!

Não há Evangelho sem lágrimas; não há evangelho tão Evangelho quanto a paulina “chorai com os que choram.” O Evangelho não é goteira, é cachoeira de lágrimas: Chorar é Evangelho estampado no rosto!

É preocupante quando não mais choramos; ou quando choramos seletivamente; ou ainda quando ideologias definam por quem devamos chorar.

Oremos pelos secos de lágrimas. Chorar é Evangelho sólido - e líquido! “Bem-aventurados os que choram.” By Geraldinho Farias

CORPO PRESENTE

Diz-se, diante da morte: “fazer o velório de corpo presente”. O corpo está presente - mas só o corpo; não há interação, gesto, olhar, toque, escuta. Há diferença oceânica entre afirmar “estou aqui” e efetivamente (afetivamente) estar, de fato — inteiro, atento, presente.

Manequins ornam vitrines - expõem roupas e adereços. São “corpos presentes”: Bonecos decorativos, "pessoas ornamentais" que são, sem ser.

Judas estava na mesa da Última Ceia – mas negociava noutra “mesa” - estava, sem estar; Pedro assumiu uma fidelidade que não sustentou - estava, sem estar; 3 discípulos acompanharam Jesus no Getsêmani - adormecidos, estavam, mas, não estavam.

Fazer companhia não é emprestar corpo distraído. Escutar não é apenas ceder orelhas às palavras. Idosos, diagnosticados, enfermos, cônjuges, filhos órfãos por pais distantes... Sabem: Distâncias não se medem por quilômetros, porque presenças distantes são ausências; proximidades indiferentes são ausências; companhias por obrigações (ou más vontades) são ausências!

Solidão ou invisibilidade imposta por quem está do lado é crueldade silenciosa: Cor-po pre-sen-te não é pes-soa pre-sen-te! By Geraldinho Farias 

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

MÁRIO CÉSAR: UMA VIDA EXTRAORDINÁRIA!

O admirável Mário Pereira da Silva foi promovido à glória celeste, aos 82 anos. O Super-Mário, como o chamava, engrandeceu muito à pequena S. Caetano do Sul, cidade que sempre o respeitou com indescritível honra.

Este ministro traz consigo uma história impressionante: Foi o líder com o ministério mais longevo na região do Grande ABC e numa mesma Paróquia - experiência cada vez mais rara em S. Paulo e no Brasil. Foram mais de 40 anos de liderança somados três períodos – 1973 a 1982; 1984 a 1987; e de 1991 à meados dos 2010 à frente da

domingo, 28 de setembro de 2025

NEM ANJOS, NEM SUPER-HERÓIS XVIII

A cada novo episódio chocante da desistência de um Ministro de Confissão Religiosa, a estereotipia associada a este papel social se estilhaça. As imagens e símbolos que gravitam em torno de pastores, padres, pais de santos, ulemás.... De que são pessoas bem resolvidas, cujas espiritualidades são resistentes, exemplos e inspiração para ser e viver para párocos e fiéis, contrastam com o número de ministros que se assumem adoecidos e transtornados, desnudos ante os desafios impostos pela Missão.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

RELIGIOSIDADES E O ANTIPSICOLOGISMO

Santidade tem tudo a ver com sanidade; mas ainda há quem trate saúde mental como ameaça à fé:

Jesus não é "seu" Psicólogo

A fé remove montanhas, mas não deveria remover as ciências

"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto": Os saberes, os cientistas, os exames e os

NEM ANJOS, NEM SUPER-HERÓIS XX

Quando quem cuida também sangra: Líderes religiosos não são anjos, nem super-heróis. Não são de ferro, acrílico, borracha... São pessoas - d...