quinta-feira, 13 de novembro de 2025

NEM ANJOS, NEM SUPER-HERÓIS XIX

Não é incomum que pessoas de fé vivam numa espécie de bolha espiritual — um “outro mundo”, supostamente protegidos das dores e crises que afetam o restante da humanidade. Muitos traçam uma fronteira ilusória entre a espiritualidade e a realidade, como se as angústias e rupturas da alma não tocassem quem vive sob um credo. Mas a vida real insiste em contrapor: Crentes também adoecem, padres também choram, pastores também se esgotam. A fé não anula o humano – por mais que hajam coachs e religiosos a defender um dualismo!


Segundo Gerald Caplan (1963) crise é um “período temporário de desorganização no funcionamento de um sistema, precipitado por circunstâncias que transitoriamente ultrapassam as capacidades de adaptação interna e externa”, ou, em síntese, “uma perturbação temporária do estado de equilíbrio.” Crises são parte da condição humana - religiosos não são alienígenas. Émile Durkheim já nos lembrava que o aut@mutil@ção, embora profundamente pessoal, é também um fato social; quando as estruturas de pertencimento, a fé, a vocação enfraquecem... O sentido da vida pode se esvair.


Em líderes religiosos, esses impulsos se transformam em culpa, solidão e exaustão moral. Contudo, o que precipita a crise não é a dor em si, mas a desesperança — a crença de que nada mais pode mudar, quando o sofrimento é percebido como permanente, global e pessoal, instala-se o que Abramson, Metalsky e Alloy chamaram de “depressão por desesperança”. O indivíduo passa a acreditar que não há mais saída...


A desistência do Padre Claudiano Quirino dos Santos, 45, neste 8/11, líder da Paróquia São Bernardo, em Baldim-MG, nos confronta essa dura realidade: Cada líder religioso é uma pessoa que também precisa de cuidado, escuta e descanso. Que Deus console os familiares, amigos e Comunidade. Reafirmo: Ser suportado é necessidade; dar suporte é missão! By Geraldinho Farias

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